SERÁ O FIM DAS REDES SOCIAIS?


Postado por: Explay

O cidadão brasileiro se manifesta sem ressalvas pelo Facebook, Twitter e outras redes sociais. Já superou há algum tempo a era do “cale-se”. Agora tem voz ativa. Parece o máximo, mas será mesmo? Será que cada um de nós merece um posto de comunicador no Mundo Digital? 

Parecia fantástico quando a atual conjuntura começou a se caracterizar. Todos poderiam se comunicar o tempo todo. A disputa por volume de amigos nas redes sociais ganhou espaço. Diversos tipos de mensagem apareceram nas timelines dos perfis pessoais. Pessoas escolheram suas melhores fotos e grandes momentos para exibir a amigos (e outros nem tão amigos assim). Passaram a publicar dizeres sábios e dizeres sem nexo. Citações coladas de sites manjados viraram lugar comum. Manifestações políticas passaram a disputar espaço com imagens do cachorrinho do primo distante. Desabafos de frustrações pessoais viraram constantes. Indiretas – ou diretas – a indivíduos e grupos também foram incluídas no pacote. Críticas a empresas de telefonia conquistaram carinho especial dos chamados justiceiros do face – aqueles que estão sempre indignados e escrevem com ódio do mundo – reclamam da temperatura, do jeito curitibano de ser, das brasilidades, do marido, do colega, do chefe, do cliente, do aluno, do professor, do vizinho e da empresa de telefonia. A rotina diária de alguns, com direito a detalhes íntimos, passou a invadir a tela de nossos computadores e dispositivos móveis. As benditas correntes reapareceram, em perfeita sintonia com aplicativos mil que não passam de passatempo para jogar fora nosso já escasso tempo. Postagens para massagear o ego temperam este curioso caldo rico em erros de português e falácias, e assim caminha a humanidade tupiniquim. 

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Somos todos comunicadores natos?

O comunicador precisa ter algumas características fundamentais para exercer o seu papel de mensageiro. A primeira é saber escrever. A segunda é ter conteúdo. A terceira é ter bom senso e algo seu a acrescentar. Caso almeje uma esfera mais refinada da comunicação, ele aplicará também os princípios básicos da maravilhosa hermenêutica de Gadamer: contextualização, impacto e semântica. Infelizmente não é possível exigir tais credenciais de cada internauta, ao contrário do que acontecia com os produtores de conteúdo da era pré-internet. Agora, pelo menos podíamos esbanjar bom-senso! Escreveríamos dentro de nossas condições individuais, dentro do que nossos repertórios permitem. Teríamos humildade e auto-análise suficientes para analisar se aquilo realmente acrescenta algo ao nosso círculo de influência, se estamos devidamente capacitados para pedir um pouquinho do tempo daqueles que nos leem e escutam. Tal qual um francês à mesa, saberíamos oferecer e consumir de tudo sem nos fartar de nada. Poderíamos falar de nossas coisas individuais e de coisas de interesse amplo em suas devidas doses, sem empanturrar os demais com informações chatas a ponto de pouco a pouco nossos amigos desistirem de nós. 

Humildade e feedback 

Você já perguntou pessoalmente a seus amigos o que eles acham de sua atuação no Face? Já pediu a eles dicas de conteúdos, o que eles esperam receber de você? Caso não, pense a respeito. Caso ache esta ideia fora de contexto, reflita se o Facebook deve ser um canal de desabafo e exibicionismo, ou uma ponte entre você e seus pares. Analise se o que o seu público tem a dizer sobre você é ou não do seu interesse. Descubra se você faz parte da pequena fatia que faz uso inteligente do Facebook. 

Analfabetismo funcional

A mais recente pesquisa do INAF Brasil – Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional – afirma que apenas 26% da população brasileira entre 15 e 64 anos é plenamente alfabetizada. E os demais que sequer estão totalmente capacitados enquanto receptores de uma mensagem estariam então capacitados enquanto promotores de mensagens? Eles têm condições de acrescentar algo verdadeiramente interessante à sociedade via blogs, foruns, redes sociais, videoblogs ou o que mais for? É claro que não. O Brasil precisa educar seu povo com urgência. Educá-lo em princípios básicos como humildade, busca pelo conhecimento, respeito ao próximo e cidadania. É triste perceber que há um culto à ignorância, que se não é promovido pela grande parte da população, no mínimo é tolerado por esta. Neste contexto nasce um círculo vicioso do qual o menos favorecido culturalmente não consegue sair. Ele que já não sabe nada de nada escreve para outros em mesma condição e a retroalimentação do não-saber ganha corpo. As lições de grandes nomes da cultura, ciências, artes, política, humanidade e empreendedorismo ficam cada vez mais inatingíveis e, pior, inimagináveis. A prioridade é a superficialidade.

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Minha previsão

Não sou contra a manifestação individual descompromissada ou de cunho pessoal. Sou contra a falta de bom senso e a apologia à ignorância. O Brasil conseguiu alçar o Orkut a proporções nacionais inimagináveis, para em seguida levá-lo à falência. O próximo passo é promover semelhante proeza com o Facebook. Infelizmente, os caminhos indicam este funesto fim para a rede que deu voz demais a quem pouco tem a falar. 

Fontes:

Tirinha de humior – Pandyland – http://pandyland.net/71/
Gráfico – INAF 2011/2012 – Instituto Paulo Montenegro – http://www.ipm.org.br/ipmb_pagina.php?mpg=4.02.01.00.00&ver=por