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09.06.2020

Será o Fim das Redes Sociais?

O Fim das Redes Sociais: o brasileiro se manifesta sem ressalvas pelo Facebook, Twitter e outras redes sociais. Já superou há algum tempo a era do “cale-se”. Agora tem voz ativa. Parece o máximo, mas será mesmo? Será que cada um de nós merece um posto de comunicador no Mundo Digital?

 

Parecia fantástico quando a atual conjuntura começou a se caracterizar. Todos poderiam se comunicar o tempo todo. A disputa por volume de amigos nas redes sociais ganhou espaço. Diversos tipos de mensagem apareceram nas timelines dos perfis pessoais.

 

Pessoas escolheram suas melhores fotos e grandes momentos para exibir a amigos (e outros nem tão amigos assim). Passaram a publicar dizeres sábios e dizeres sem nexo. Citações coladas de sites manjados viraram lugar comum. Manifestações políticas passaram a disputar espaço com imagens do cachorrinho do primo distante. Desabafos de frustrações pessoais viraram constantes. Indiretas – ou diretas – a indivíduos e grupos também foram incluídas no pacote.

 

Críticas a empresas de telefonia conquistaram carinho especial dos chamados justiceiros do FB – aqueles que estão sempre indignados e escrevem com ódio do mundo – reclamam da temperatura, das brasilidades, do marido, do colega, do chefe, do cliente, do aluno, do professor, do vizinho e da empresa de telefonia.

 

A rotina diária de alguns, com direito a detalhes íntimos, passou a invadir a tela de nossos computadores e dispositivos móveis. As benditas correntes reapareceram, em perfeita sintonia com aplicativos mil que não passam de passatempo para jogar fora nosso já escasso tempo. Vide artigo sobre o tema – Falta de Tempo.

 

Por fim, e não menos frequentes, postagens para massagear o ego temperam este curioso caldo rico em erros de português e falácias, e assim caminha a humanidade tupiniquim. Seria então este o Fim das Redes Sociais?

 

 

Somos todos comunicadores natos?

O comunicador precisa ter algumas características fundamentais para exercer o seu papel de mensageiro. A primeira é saber escrever. A segunda é ter conteúdo e propriedade sobre o que está comunicando. A terceira é ter bom senso e algo seu a acrescentar.

 

Caso almeje uma esfera mais refinada da comunicação, ele aplicará também os princípios básicos da maravilhosa hermenêutica de Gadamer: contextualização, impacto e semântica.

 

Infelizmente não é possível exigir tais credenciais de cada internauta, ao contrário do que acontecia com os produtores de conteúdo da era pré-internet.

 

Temos agora, no mínimo, a missão de esbanjar bom-senso! Deveríamos escrever dentro de nossas condições individuais, dentro do que nossos repertórios permitem. Deveríamos ter humildade e auto-análise suficientes para analisar se aquilo realmente acrescenta algo ao nosso círculo de influência, e se estamos devidamente capacitados para pedir um pouquinho do tempo daqueles que nos leem e escutam.

 

Tal qual um francês à mesa, nossa missão deveria ser oferecer e consumir de tudo sem nos fartar de nada. Poderíamos falar de nossas coisas individuais e de coisas de interesse amplo em suas devidas doses, sem empanturrar os demais com informações chatas a ponto de pouco a pouco nossos “amigos” desistirem de nós. Sem a promoção do Fim das Redes Sociais.

 

 

Humildade e feedback

Você já perguntou a seus amigos o que eles acham de sua atuação nas redes? Já pediu a eles dicas de conteúdos, o que eles esperam receber de você?

 

Caso não, pense a respeito.

 

Se achar esta ideia fora de contexto, reflita se o Facebook, Instagram e LinkedIn devem ser canais de desabafo e exibicionismo, ou uma ponte entre você e seus pares.

 

Analise se o que o seu público tem a dizer é ou não do seu interesse. Descubra se você faz parte da pequena fatia que faz uso inteligente e positivo das redes, ou se você é mais um que batalha indiretamente pelo Fim das Redes Sociais.

 

 

Analfabetismo funcional

A mais recente pesquisa do INAF Brasil – Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional – afirma que apenas 12% da população brasileira é alfabetizada no critério máximo, o da proficiência. O caso é tão grave que mais de 30% da população é considerada analfabeta funcional!

 

Estes que sequer estão totalmente capacitados enquanto receptores de uma mensagem estariam então capacitados no papel de promotores de mensagens? Eles têm condições de acrescentar algo verdadeiramente interessante à sociedade via blogs, fóruns, redes sociais, YouTube ou outros meios?

 

É claro que não. O Brasil precisa educar seu povo com urgência. Educá-lo em princípios básicos como humildade, busca pelo conhecimento, respeito ao próximo e cidadania. É triste perceber que há um culto à ignorância, que se não é promovido por grande parte da população, no mínimo é tolerado por esta.

 

Neste contexto nasce um círculo vicioso do qual o menos favorecido culturalmente não consegue sair. Ele que já não sabe nada de nada escreve para outros em mesma condição e a retroalimentação do não-saber ganha corpo. As lições de grandes nomes da cultura, ciências, artes, política, humanidade e empreendedorismo ficam cada vez mais inatingíveis e, pior, inimagináveis. A prioridade é a superficialidade.

 

 

Não sou contra a manifestação individual descompromissada ou de cunho pessoal. Sou contra a falta de bom senso e a apologia à ignorância. O Brasil conseguiu alçar o Orkut a proporções nacionais inimagináveis, para em seguida levá-lo à falência. O próximo passo é promover semelhante proeza com as atuais redes sociais em destaque.

 

Seremos capazes de tal barbárie, ou nestes anos já ganhamos suficiente maturidade para melhor nos comportarmos nas redes sociais?

 

 

Fonte do Gráfico: https://novaescola.org.br/conteudo/15927/o-brasil-esta-mesmo-alfabetizado

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